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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

“Fora, Dilma” é força e fraqueza de protestos

Sem renúncia e com impeachment mais distante, protestos não atingem principal objetivo

    foto: El PAÍS
A exemplo do que ocorreu nos protesto de março e abril, os manifestantes deste domingo têm como obstáculo a própria pauta de reivindicações. O governo não tem como atender às reivindicações.
Em linhas gerais, a pauta é contra a corrupção. Mas o que se pede de maneira específica é a saída da presidente Dilma Rousseff, seja por meio de um processo de impeachment ou uma eventual renúncia.
Em entrevista nesta semana ao SBT, a presidente Dilma disse que “jamais” pensou em renunciar e que não adotará tal medida. Portanto, o governo não vai atender à pauta de reivindicações, o que inviabiliza diálogo com os manifestantes.
Nesta semana, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), admitiu que o processo de impeachment ficou mais difícil. O governo obteve uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou que a votação das contas de 2014 do governo Dilma seja feita pelo Congresso, em uma sessão conjunta da Câmara e do Senado.
Isso tira poder de Cunha, que é atualmente o político que se movimentava com mais audácia para tentar colocar em pauta uma eventual abertura de um processo de impeachment.
Quem tem o poder de convocar o dia e a hora da votação das contas do governo passa a ser só o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também preside o Congresso Nacional.
Para diminuir o isolamento político, Dilma se aproximou de Renan nas últimas semanas. O presidente do Senado jogou uma boia de salvação à qual a presidente se agarrou.
Com a aproximação do governo com Renan, houve isolamento político de Cunha e de setores da oposição mais radicais em relação à presidente.
Há 10 dias, os líderes do PSDB na Câmara e no Senado, o deputado Carlos Sampaio (SP) e o senador Cássio Cunha Lima (PB), incentivaram os manifestantes a protestar não pelo impeachment de Dilma, mas pela convocação de novas eleições.
Mas isso dependeria de uma decisão do TSE que cassasse a chapa presidencial de Dilma e Michel Temer. Nesta semana, um pedido de vista do ministro Luiz Fux deixou essa possibilidade mais distante.
Houve, portanto, um isolamento de Cunha e da ala do PSDB mais ligada ao senador Aécio Neves (MG), que trabalham pela saída da presidente.
Ajuda a defesa de Dilma não ter “um Fiat Elba”. Em 1992, no impeachment de Fernando Collor, um veículo foi comprado por um fantasma do esquema de corrupção de PC Farias, que havia sido tesoureiro do então presidente na campanha de 1989. Dilma tem repetido que a Operação Lava Jato não chegará até ela.
Se os investigadores obtiverem alguma prova concreta que atinja a campanha da petista de 2014, isso poderá ser usado para tentar se votar no Congresso a abertura de um processo de impeachment. Mesmo assim, seria preciso estabelecer vínculo com a presidente, o que ela diz que não acontecerá.
A abertura de eventual processo de impeachment tem de começar pela Câmara com o apoio mínimo de 342 deputados, dois terços da Casa. O governo precisaria ter o apoio de um pouco mais de um terço para barrar tal iniciativa. O Palácio do Planalto tem trabalhado para obter o apoio de 200 deputados, a fim de garantir uma margem de segurança mínima.
Em resumo, o governo usa a estratégia do coqueiro que se verga na ventania, expressão usada por Dilma nesta semana. Dilma vai esperar o vento passar, sempre dizendo que vê com normalidade manifestações numa democracia.
Tanto o governo como a oposição avaliam que as manifestações serão menores que os protestos de 15 de março e 12 de abril. Foi menor a movimentação nas redes sociais para convocação.
Até quarta-feira, o governo dizia que os protestos deste domingo estariam em um patamar intermediário entre o de março e o de abril. Ontem, um balanço indicava que seria uma manifestação menor que a de abril. Até a oposição aferiu número parecido, além de institutos privados.
Uma aparente contradição: como aumentou a impopularidade do governo, deveria haver mais gente na rua. Em março o governo tinha uma avaliação menos negativa do que tem hoje. E mais gente foi às ruas do que em abril.
O presidente do Datapopular, Renato Meirelles, afirma que nem todos os insatisfeitos com Dilma desejam a saída dela do poder. Isso ajuda a explicar o número menor de pessoas, apesar do aumento da impopularidade do governo.
É preciso aguardar o fim do dia para saber se vai se confirmar a previsão de menos gente nos protestos. Mas haverá um grande número de pessoas nas ruas, algo que não poderá ser ignorado pelos políticos.
O governo avalia que haverá muita gente em São Paulo e no Rio de Janeiro e aguarda o tamanho dos movimentos em outras capitais.
(Blog do Kennedy)

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