segunda-feira, 9 de março de 2015

O que se esconde por trás do ódio ao PT



Leonardo Boff

Há um fato espantoso mas analiticamente explicável: o aumento do ódio e da raiva contra o PT. Esse fato vem revelar o outro lado da “cordialidade” do brasileiro, proposta por Sérgio Buarque de Holanda: do mesmo coração que nasce a acolhida calorosa, vem também a rejeição mais violenta. Ambas são “cordiais”: as duas caras passionais do brasileiro.

Esse ódio é induzido pela mídia conservadora e por aqueles que na eleição não respeitaram rito democrático: ou se ganha ou se perde. Quem perde reconhece elegantemente a derrota e quem ganha mostra magnanimidade face ao derrotado. Mas não foi esse comportamento civilizado que triunfou. Ao contrário: os derrotados procuram por todos os modos deslegitimar a vitória e garantir uma reviravolta política que atenda a seu projeto, rejeitado pela maioria dos eleitores.

Para entender, nada melhor que visitar o notório historiador, José Honório Rodrigues que em seu clássico Conciliação e Reforma no Brasil (1965) diz com palavras que parecem atuais: ”Os liberais no império, derrotados nas urnas e afastados do poder, foram se tornando além de indignados, intolerantes; construíram uma concepção conspiratória da história que considerava indispensável a intervenção do ódio, da intriga, da impiedade, do ressentimento, da intolerância, da intransigência, da indignação para o sucesso inesperado e imprevisto de suas forças minoritárias” (p. 11).

Esses grupos prolongam as velhas elites que da Colônia até hoje nunca mudaram seu ethos. Nas palavras do referido autor: “a maioria foi sempre alienada, antinacional e não contemporânea; nunca se reconciliou com o povo; negou seus direitos, arrasou suas vidas e logo que o viu crescer lhe negou, pouco a pouco, a aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continua achando que lhe pertence” (p.14 e 15). Hoje as elites econômicas abominam o povo. Só o aceitam fantasiado no carnaval.

Lamentavelmente, não lhes passa pela cabeça que “as maiores construções são fruto popular: a mestiçagem racial, que criava um tipo adaptado ao país; a mestiçável cultural que criava uma síntese nova; a tolerância racial que evitou o descaminho dos caminhos; a tolerância religiosa que impossibilitou ou dificultou as perseguições da Inquisição; a expansão territorial, obra de mamelucos, pois o próprio Domingos Jorge Velho, devassador e incorporador do Piauí, não falava português; a integração psicossocial pelo desrespeito aos preconceitos e pela criação do sentimento de solidariedade nacional; a integridade territorial; a unidade de língua e finalmente a opulência e a riqueza do Brasil que são fruto do trabalho do povo. E o que fez a liderança colonial (e posterior)? Não deu ao povo sequer os benefícios da saúde e da educação” (p. 31-32).

A que vêm estas citações? Elas reforçam um fato histórico inegável: com o PT, esses que eram considerados carvão no processo produtivo (Darcy Ribeiro), o rebutalho social, conseguiram, numa penosa trajetória, se organizar como poder social que se transformou em poder político no PT e conquistar o Estado com seus aparelhos. Apearam do poder as classes dominantes; não ocorreu simplesmente uma alternância de poder mas uma troca de classe social, base para um outro tipo de política. Tal saga equivale a uma autêntica revolução social.

Isso é intolerável pelas classes poderosas que se acostumaram a fazer do Estado o seu lugar natural e de se apropriar privadamente dos bens públicos pelo famoso patrimonialismo, denunciado por Raymundo Faoro.

Por todos os modos e artimanhas querem ainda hoje voltar a ocupar esse lugar que julgam de direito seu. Seguramente, começam a dar-se conta de que, talvez, nunca mais terão condições históricas de refazer seu projeto de dominação/conciliação. Outro tipo de história política dará, finalmente, um destino diferente ao Brasil.

Para eles, o caminho das urnas se tornou inseguro pelo nível crítico alcançado por amplos estratos do povo que rejeitou seu projeto político de alinhamento neoliberal ao processo de globalização, como sócios dependentes e agregados. O caminho militar será hoje impossível dado o quadro mundial mudado. Cogitam com a esdrúxula possibilidade da judicialização da política, contando com aliados na Corte Suprema que nutrem semelhante ódio ao PT e sentem o mesmo desdém pelo povo.

Através deste expediente, poderiam lograr um impeachment da primeira mandatária da nação. É um caminho conflituoso pois a articulação nacional dos movimentos sociais tornaria arriscado este intento e talvez até inviabilizável.

O ódio contra o PT é menos contra PT do que contra o povo pobre que por causa do PT e de suas políticas sociais de inclusão, foi tirado do inferno da pobreza e da fome e está ocupando os lugares antes reservados às elites abastadas.

Antecipo-me aos críticos e aos moralistas: mas o PT não se corrompeu? Veja o mensalão? Veja a Petrobrás? Não defendo corruptos. Reconheço, lamento e rejeito os malfeitos cometidos por um punhado de dirigentes. Traíram mais de um milhão de filiados e principalmente botaram a perder os ideais de ética e de transparência. Mas nas bases e nos município - posso testemunhá-lo - vive-se um outro modo de fazer política, com participação popular, mostrando que um sonho tão generoso não morre assim tão facilmente: o de um Brasil menos malvado. As classes dirigentes, por 500 anos, no dizer rude de Capistrano de Abreu, “castraram e recastraram, caparam e recaparam” o povo brasileiro. Há maior corrupção histórica do que esta? Voltaremos ao tema.

(Jornal do Brasil)

sábado, 7 de março de 2015

Mais dois ladrões de celular são presos pela PM em Itaituba


Esses dois são acusados de prática de roubo de celulares durante a noite de ontem. De posse de um revolver ameaçavam as vítimas e subtraiam os aparelhos. Fato comum nesses assaltos são as motos usadas para a prática de assaltos e mais ainda o fato de esses donos de motos cedidas para a prática criminosa não serem punidos com prisão e fechamento desses locais de "aluguel de motos" para prática de crimes. Atualmente esses assaltantes estão usando motos da família "Barney e Bolão".





Jenilson dos Santos Coelho "gordinho", 21 anos e Leandro Sousa da Silva, 20 anos, ambos moradores do bairro da Paz.
Segundo os policiais militares que prenderam os suspeitos a moto é da locadora do "Barney" que é costumeira fornecer motos que são usadas em assaltos praticados por esse tipo de desocupado que estão dispostos a enveredar para o crime.

WhatsApp começa a liberar chamadas de voz no Brasil



Do UOL, em São Paulo

  • Recurso está liberado só para Android
O WhatsApp começou a liberar o recurso que permite realizar chamadas de voz no Brasil, a princípio apenas para usuários de smartphones Android.
Apesar de a empresa não ter comunicado oficialmente a liberação do serviço, que já vinha sendo testado em alguns outros países --entre eles a Índia--, muitos brasileiros relataram pelo Twitter que haviam conseguido usar a nova função.


Nem todas as ligações feitas conseguiram ser completadas qualidade esperada. Ora não era possível ouvir o interlocutor, ora a chamada era atendida, mas para quem fazia a ligação permanecia o sinal de conexão. O ícone de chamada --no canto superior esquerdo-- também deveria ter um maior destaque.
A ligação só é concluída, no entanto, se o receptor tiver atualizado a versão do WhatsApp no smartphone. Nos testes realizado pela reportagem, a atualização disponível pelo Google Play não funcionou. Foi preciso fazê-la diretamente pelo site oficial do WhatsApp (http://www.whatsapp.com/android/).
Para habilitar a função, é preciso receber um convite. Basta o usuário que tem a função ligar para aquele que ainda não possui, que automaticamente o último passa a conseguir realizar ligações pela internet.
O convite não é pode ser enviado a usuários de smartphones que usam os sistemas operacionais Windows Phone e iOS. Ao fazer a ligação, o próprio programa informa que os celulares não são compatíveis com o novo recurso.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Quadrilha de ladrões de celulares é presa pela Polícia Militar em Itaituba

Na manhã de ontem, 04/03, a PM conseguiu prender elementos que vinham provocando terror na cidade. Na noite de terça feira a quadrilha realizou pelo menos seis assaltos, que tinha como foco eletrônicos, especialmente celulares. Com os acusados a polícia encontrou dezesseis celulares e um tablet. A operação teve início por volta das 10h00 quando o serviço reservado descobriu que uma moto usada na prática dos roubos pertencia a "gordinho" filho de um cidadão muito conhecido por alugar motos para ladrões, inclusive menores de idade e que responde por assassinato em liberdade, apesar de ter cometido um crime bárbaro, ao matar a ex sogra que se negou a indicar onde estaria a sua ex mulher conhecido por "Bolão". Dentre os presos está uma família, o pai Lucinaldo Nogueira Souza e dois filhos, Luciano Nogueira Souza e o menor LNSF. Também foi preso na operação que envolveu vários policiais militares o menor JWSP que foi o primeiro a ser pego e que entregou os demais. Um quinto comparsa conseguiu fugir mas já está identificado e poderá ser pedida a prisão preventiva pelo delegado Cleber que recebeu os acusados. 




≤≥ Blog RPI /rota policial de Itaituba

domingo, 1 de março de 2015

Ex-ministro Bresser Pereira diz que elite brasileira detesta pobre

Bresser, Tucano e conservador ressalta que ricos nutrem ódio ao PT


O ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, tucano e conservador, declara em entrevista à Folha de S. Paulo deste domingo que a elite brasileira detesta pobre. Daí a razão do ódio ao PT e, consequentemente, a Lula e a todos os petistas. Bresser disse o que diriam todos os sociólogos e homens preocupados com a crise social que vive o Brasil, com mais de 120 milhões de pessoas passando quase um pouco da linha de pobreza, e o que poderiam fazer se liderados por um líder tipo Lula.
Abaixo a entrevista de Bresser Pereira à Folha de S. Paulo:


Ricos nutrem ódio ao PT, diz ex-ministro


Para Bresser-Pereira, defesa que governo faz dos pobres explica sentimento da burguesia em relação à presidente
Em novo livro, ele discute a história e o desenvolvimento do Brasil desde a independência
O pacto nacional-popular articulado pelos governos do PT desmoronou pela falta de crescimento. Surgiu um fenômeno novo: o ódio político, o espírito golpista dos ricos. Para retomar o desenvolvimento, o país precisa de um novo pacto, reunindo empresários, trabalhadores, setores da baixa classe média. Uma união contra rentistas, setor financeiro e estrangeiros.
A visão é do economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, 80, que está lançando "A Construção Política do Brasil", livro que percorre a história do país desde a independência. Ministro nos governos José Sarney e FHC, ele avalia que o ódio da burguesia ao PT decorre do fato de o governo defender os pobres.


Folha - Seu livro trata de coalizões de classe. O sr. diz que atualmente a coalização não é "liberal-dependente", como nos anos 1990, nem "nacional- popular", como no tempo de Getúlio Vargas. Qual é, então?


Bresser-Pereira - Não há. Desde 1930 houve cinco pactos políticos. O nacional-popular de Getúlio, de 1930 a 1960. De 1964 ou 1967 até 1977, há um pacto autoritário, modernizante e concentrador de renda, de Roberto Campos e dos militares. Depois, há o pacto democrático-popular de 77, que vai promover a transição. Esse chega ao governo, tenta resolver o problema da inflação e fracassa. Com Collor e, especialmente com FHC, há um pacto liberal-dependente, que fracassa novamente.
Aí vem o Lula, que se propõe a formar novamente um pacto nacional-popular, com empresários industriais, trabalhadores, setores da burocracia pública e da classe média baixa. O governo terminou de forma quase triunfal, com crescimento de 7,4%, e prestígio internacional muito grande. Mas esse pacto desmoronou nos dois últimos anos do governo Dilma.


Por quê?


O motivo principal foi que o desenvolvimento não veio. De repente, voltamos a crescer 1%. Houve erros nos preços da Petrobras e na energia elétrica. E o mensalão. Aí os economistas liberais começaram a falar forte e bravos novamente, pregar abertura comercial absoluta, dizer que empresários brasileiros são todos incompetentes e altamente protegidos, quando eles têm uma desvantagem competitiva imensa. É o que explica o desaparecimento de centenas de milhares de empresas. O pacto político nacional-popular... Vupt! Evaporou-se. A burguesia voltou a se unificar.


E achou que podia ganhar a eleição do ano passado?


Sim. Aí surgiu um fenômeno que eu nunca tinha visto no Brasil. De repente, vi um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, contra um partido e uma presidente. Não era preocupação ou medo. Era ódio. Esse ódio decorreu do fato de se ter um governo, pela primeira vez, que é de centro-esquerda e que se conservou de esquerda. Fez compromissos, mas não se entregou. Continua defendendo os pobres contra os ricos. O ódio decorre do fato de que o governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres. Não deu à classe rica, aos rentistas.


Mas os rentistas tiveram bons ganhos com Lula e Dilma, não?


Não. Com Dilma, a taxa de juros tinha caído para 2%. Isso, mais o mau resultado econômico, a inflação e o mensalão, articularam a direita. Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força. Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia que está infeliz.


Ao ganhar, Dilma adotou o programa dos conservadores?


Isso é uma confusão muito grande. Quando se precisa fazer o ajuste fiscal vira ortodoxo? Não faz sentido. Quando Dilma faz ajuste ela não está sendo ortodoxa. Está fazendo o que tem que fazer. Havia abusos nas vantagens da previdência. Subsídios e isenções foram equívocos. Nada mais desenvolvimentista do que tirar isso e restabelecer as finanças. Em vez de dar incentivo, tem que dar é câmbio. E de forma sustentada.
Dilma chamou [o ministro da Fazenda] Joaquim Levy por uma questão de sobrevivência. Ela tinha perdido o apoio na sociedade, formada por quem tem poder. A divisão que ocorreu nos dois últimos anos foi violenta. Quando os liberais e os ricos perderam a eleição, muito antidemocraticamente não aceitaram isso e continuaram de armas em punho. De repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo. Não há chance de isso funcionar.


Dilma está na direção certa?


Claro. Mas não vai se resolver nada enquanto os brasileiros não se derem conta de que há um problema estrutural, a doença holandesa. Enquanto houver política de controle da inflação por meio de câmbio e política de crescimento com poupança externa e âncora cambial, não há santo que faça o país crescer. Juros altos só se justificam pelo poder dos rentistas e do sistema financeiro. Falar em taxa alta para controlar inflação não tem sentido.


Qual pacto seria necessário?


Um pacto desenvolvimentista que una trabalhadores, empresários do setor produtivo, burocracia pública e amplos setores da baixa classe média. Contra quem? Os capitalistas rentistas, os financistas que administram seus negócios, os 80% dos economistas pagos pelo setor financeiro e os estrangeiros.


Um pacto assim não fere interesses consolidados?


Em primeiro lugar, fere interesses do capitalismo. Não há nada que o capitalismo internacional queira mais em relação aos países em desenvolvimento do que eles apresentem deficit em conta-corrente. Porque esses deficit vão justificar a ocupação do mercado interno nosso pelas multinacionais deles e pelos empréstimos deles. Que não nos interessam em nada. O Brasil está voltando a ser um país primário-exportador. Esse câmbio alto resultou numa desindustrialização brutal.


No livro o sr. trata das dubiedades da burguesia. Diz que muitos industriais são hoje quase "maquiladores". Viraram rentistas. Como compor esse pacto com empresários?


A burguesia tem sido ambígua, contraditória. Em alguns momentos se uniu a trabalhadores e ao governo para uma política de desenvolvimento nacional, como com Vargas e Juscelino. Em outros, não foi nacional, como entre 1960 e 1964. Ali, a burguesia se sentiu ameaçada. No contexto da Guerra Fria e da Revolução Cubana, se uniu e viabilizou o regime militar.
Estamos vendo isso novamente. A burguesia voltou a se a unir sob o comando liberal. Há esse clima de ódio, essa insistência de falar de impeachment.
Mas esse espírito não vai florescer. A democracia está consolidada e todos ganham com ela, ricos e pobres. O Brasil só se desenvolve quando tem uma estratégia nacional de desenvolvimento.


Como define a burguesia hoje?


É muito mais fraca do que nos anos 1950. Tudo foi comprado pelas multinacionais. O processo de desnacionalização é profundo. Todos que venderam suas empresas viraram rentistas, estão do outro lado. Mas continuam existindo empresários nacionais e jovens com ideias. Mas não há oportunidade de investir com esse câmbio e esse juro. É uma violência que se está fazendo contra o país. Em nome de uma subordinação da nação aos estrangeiros e de uma preferência muito forte pelo consumo imediato.
Os brasileiros se revelam incapazes de formular uma visão de seu desenvolvimento, crítica do imperialismo. Incapazes de fazer a crítica dos deficit em conta-corrente, do processo de entrega de boa parte do nosso excedente para estrangeiros. Tudo vai para o consumo. É o paraíso da não nação.


Desnacionalização preocupa?


Profundamente. É uma tragédia. Vejo uma quantidade infinita de áreas dominadas por empresas multinacionais que não estão trazendo nenhuma tecnologia, nada. Simplesmente compram empresas nacionais e estão mandando belos lucros e dividendos para lá. Isso enfraquece profundamente a classe empresarial brasileira e, assim, a nação.


Então o senhor está pessimista em relação à burguesia?


A burguesia brasileira está sendo um cordeiro nas mãos do carrasco. O carrasco é o juro alto e o câmbio apreciado. Ela é incapaz de se rebelar. Suas organizações de classe se mostram muito fracas. Como vão defender mudanças no câmbio se têm empresas endividadas em dólar? Líderes ficam manietados. Eles sentem que estão indo para o cadafalso, mas não sabem o que fazer; estão divididos.


O senhor está pessimista?


É claro. Não vejo nenhum sinal de que esse problema vá ser enfrentado. Nem da parte do governo, nem das oposições, nem da academia.
(Jornal do Brasil)